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Adélia Prado, Âncoras / Ancore

Âncoras

 

Amo o deserto,

mas por causa das cobras

não alcanço o repouso

de sua cama de areia.

O jardineiro inepto

cortou o rebento esplêndido,

é meu braço que corta.

Nada é como quero que seja,

não há aqui um só lugar

que possa chamar de meu,

pareço amar a tristeza,

como o navio aos ferros do seu aprumo.

Lançar âncoras é uma ideia feliz.

Os navios me causam

compaixão e espanto.

 

Adélia Prado

Ancore

 

Amo il deserto,

ma per via dei cobra

non mi godo il riposo

del suo letto di sabbia.

Il giardiniere incapace

recise lo splendido germoglio,

è il mio braccio che recide.

Nulla è come voglio che sia,

non c’è qui un solo luogo

che possa definire mio,

sembro amare la tristezza,

come la nave i ferri del suo appiombo.

lanciare ancore è un’idea felice.

le navi mi provocano

compassione e stupore.

 

Traduzione di Chiara De Luca

da A duração do dia / La durata del giorno. In uscita a gennaio 2016 per Edizioni Kolibris

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