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Ana Luísa Amaral, Gato em apontamento quase barroco/Gatto in appuntamento quasi barocco

Gato em apontamento quase barroco
e de manhã de sabado

Gentilmente curvado sobre a flor,
Percorre devagar nervura e centro.
E em tantos delicados argumentos
Vai avançando lentamente as folhas.

A cabeça pondera e repondera
Defronte a haste fácil, rente a terra,
E uma pedra minúscula e serena
Sobe no ar, acesa como fera.

Não conhece os segredos do soneto,
Sendo de ofício muito ignorado
A sua arte. E em curto minuete:

Uma garra afiada em pé de valsa,
Um dente a desdenhar a flor e a folha
E a cravar‑se, feroz, na minha salsa.

Ana Luísa Amaral

Gatto in apopuntamento quasi barocco
e al sabato mattina

Gentilmente chino sopra il fiore,
Percorre lentamente nervatura e centro.
E in tanto delicati argomenti
Va spostando lentamente le foglie.

La testa pondera e ripondera
Di fronte lo stelo facile, rasoterra,
E una pietra minuscola e serena
Sale nell’aria, luminosa come fiera.

Non conosce i segreti del sonetto,
Essendo d’ufficio molto oscuro
La sua arte. E nel corto minuetto:

Un artiglio affilato in piede di valzer,
Un dente a disdegnare il fiore e la foglia
e a piantarsi, feroce, nel mio prezzemolo.

Traduzione di Chiara De Luca

da Voci, in stampa per Edizioni Kolibris

Photo by Chiara De Luca
Photo by Chiara De Luca

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