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Ana Martins Marques, Mãos/Mani

Mãos

Uma trabalha mais que a outra.
Dividem o peso dos anéis.
Uma nunca aprendeu a escrever.
Com isso a outra tornou-se mais
silenciosa, mais firme, mais acostumada ao adeus.
Em alguns gestos entram as duas numa
mesma coreografia como quando é
necessário contar algo mais que cinco.
Aceitam as manchas dos anos
como solteironas
que envelhecem juntas.

 

Ana Martins Marquez

Mani

Una lavora più dell’altra.
Si dividono il peso degli anelli.
Una non imparò mai a scrivere.
Per questo l’altra divenne più
silenziosa, più ferma, più avvezza agli adii.
In qualche gesto le due mani entrano nella stessa
coreografia come quando bisogna contare fino a un po’
più di cinque.
Accettano le macchie degli anni
come zitelle
che invecchiano insieme.

 

Traduzione di Chiara De Luca

 

 

Ana Martins Marques, A vida submarina, Scriptum, Belo Horizonte 2009

 

 

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