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António Amaral

A cura di Emilio Capaccio

Antonio_AmaralAntónio Amaral, nome completo António Carlos Amaral, nacque sotto il regime dittatoriale di ispirazione fascista di António de Oliveira Salazar (1889-1970), il 17 aprile del 1949, nella “Maternidade Dr. Alfredo da Costa[1]”, a Lisbona, Portogallo. I suoi genitori, António Carlos Amaral e Maria José Caeiro Queimado Amaral, forti di una tradizione familiare antifascista educarono il figlio alla luce dei principi di libertà e di lotta che fin da piccolo gli crearono non pochi problemi con il regime e con la polizia politica[2]. Contro la guerra coloniale imposta, si vide costretto, nel 1969, a entrare nella Marina Mercantile come pilota, dopo aver frequentato il corso di pilotaggio nella Scuola Nautica “Infante D. Henrique[3]” e ottenuti tutti i requisiti richiesti dalla Marina di Guerra Portoghese, nel gruppo di scuole della Base Navale di Alfeite, nella Scuola dei Fucilieri della Vale de Zebro e nella Nave Scuola Sagres. È stato sposato varie volte e da questi matrimoni sono nati 3 figli e 6 nipoti. Il figlio più giovane, di quindici anni, studia nel campo dell’Arte. L’Arte ha sempre affascinato Amaral: la pittura, il disegno, la scrittura, furono passioni che abbracciò fin in tenera età, ma interruppe dopo il primo matrimonio, con alcune note artistiche sporadiche e sparse nel tempo. Quando abbandonò il mare, nel 1975, lavorò per 15 anni nell’area della Salute, approfittando di questo tempo per studiare (per proprio conto) possibilità nell’area delle nuove tecnologie, settore nel quale trovò occupazione nei successivi 24 anni. All’inizio del 2012 riprese a scrivere, ma solo per un gruppo di amici molto ristretto. Nel 2013 decise di divulgare i suoi scritti attraverso un blog: “Cisco das Palavras e do Risco”, dove cominciò a pubblicare alcuni dei suoi testi in versi e in prosa, riproducendo, ad oggi, un campione molto esiguo del materiale prodotto. Tale divulgazione si è estesa in parallelo sulla sua pagina personale di Facebook e in gruppi letterari di cui è autore e amministratore. Sempre nel 2013 ha pubblicato con la piattaforma Amazon, sotto lo pseudonimo: “Io non sono Nessuno”, un breve saggio di un centinaio di pagine dal titolo: Excertos com Enxertos, dove l’unico obiettivo dell’autore è quello di far conoscere alcuni testi in versi e in prosa senza alcuna finalità di natura economica, di stile o di contenuto. In questo saggio sono stati riportati anche alcuni commenti dei visitatori del suo blog. Attualmente, continua a svolgere l’attività professionale nel settore in cui si è specializzato, impegnandosi altresì in un progetto personale che è nato sul finire del 2013: scrivere 2014 componimenti poetici su altrettanti parole nel corso dell’anno 2014. Di questo progetto manca ancora la parte più difficile e dispendiosa: effettuare la selezione, la revisione e dare corpo alla struttura dell’opera complessiva, tra le oltre 3000 poesie scritte in questo periodo, che dovrebbe articolarsi in 12 volumi, dal titolo: 2014 Palavras. Il primo volume dovrebbe essere pubblicato nel mese di dicembre del 2015 o inizio 2016. La sua poesia ha caratteristiche ben distinte, spaziando dal soave tubare amoroso all’uragano più violento, dal puro e casto all’indecente e sensuale, in un linguaggio senza tabù, senza castrazioni, lasciando al lettore il compito di schiudere la propria immaginazione. Non ci sono mezzi termini. O si ama o non si ama. È tutto detto alla fine di una sua poesia:

 

“ ( … )

È questo il cammino,

Il mio cammino,

Senza deviazioni,

Senza fermate,

Con o senza …

Chi c’è, c’è,

Che viene, viene,

Chi no …Vaffanculo!

[1] È stato un ospedale ostetrico-ginecologico di Lisbona, fondato il 31 maggio del 1932 in onore del professore in medicina Alfredo da Costa (1859-1910) che diede un contributo notevole al miglioramento delle condizioni delle puerpere, sia in termini di competenze medico-scientifiche, sia in termini di assistenza alla degenza. Nella Maternidade Dr. Alfredo da Costa, in precedenza Infermeria di Santa Bárbara, sono nati, fino al 2005, circa 540.000 bambini, numero che fa di questo ospedale il più importante del Portogallo. Con Decreto Legge del 2012 la Maternidade Dr. Alfredo da Costa insieme all’Hospital de Curry Cabral sono stati estinti per incorporazione nel Centro Hospitalar de Lisboa Central.

[2] La polizia politica del regime di António Salazar era chiamata Polícia Internacional e de Defesa do Estado (PIDE) successivamente diventata Direcção-Geral de Segurança (DGS) che perseguitava gli oppositori politici arrestandoli, torturandoli o uccidendoli. La polizia politica venne istituita nel 1945 e durò anche dopo il regime di Salazar, fino al 1974, quando fu destituita la dittatura di Marcelo Caetano (1906-1980), successore di Salazar, in seguito alla c.d. Revolução dos Cravos (Rivoluzione dei Garofani), avvenuta il 25 aprile di quell’anno.

[3] In portoghese Infante Dom Henrique (1394-1460) è chiamato Enrico di Aviz, detto Enrico il Navigatore o Principe di Sagres, una delle figure più importanti dell’epoca delle esplorazioni geografiche via mare. “Infante”, nella monarchia spagnola e portoghese era il titolo che si dava ai figli del sovrano regnante a partire dal secondogenito, cioè a partire da colui o colei che non era l’erede diretto al trono.

Caixa

 

A fita de seda vermelha dobrada, guardada na “Caixa” vazia de café.

A folha de papel de embrulho colorida, arrumada na gaveta da cómoda que já teve camisas.

O vestido de renda branca, bordado pelas traças nascidas do tempo,

A trança de cabelo louro que fugiu da cabeça da criança que cresceu,

O segundo do relógio enrolado na corda ferrugenta da viola caída.

O envelope sem nome amarelo, cortado, cheio de selos carimbados.

As pegadas da fotografia do atapetado de um areal, ao pôr-do-sol.

O sonho arrumado numa prateleira, entre as caixas de flocos e uma embalagem de esparguete.

O vermelho de uns lábios quentes, marcados no copo de cerveja.

As cinzas que me cobrem, saídas de um corpo frio lançado ao vento.

O sentimento pisado no almofariz, onde o pilão tem pés de barro.

As botas calçadas nos pés, de pernas que se recusam a andar.

A mulher que perdeu os olhos, a olhar do amor de que cegou.

As palavras da história inacabada, nas páginas de um livro que se inflamou.

O fósforo ardido, caído algures entre o tempo e o sonho.

A cara que nasceu do pó negro riscado, e está pendurada num fio suspenso por este prego.

A vírgula que não ficou e caiu, no meio de uma frase de amor.

O ponto que já não está aqui, mudando o encontro de lugar.

O degrau onde tropecei, mas que mesmo assim continua nesta escada enrolada.

A vida que …

 

 

 

 

 

Nós

 

Eu sei que me lês,

Sei que me lês sempre,

Que vibras, que te sentes,

Sei e às vezes não digo …

 

Porquê?

Porque perguntas se já sabes?

 

Não digo,

Porque o poeta não diz tudo,

Porque o verso se perderia

Se tudo esclarecesse,

Ficaria vazio de mistério,

Deixaria de ser poema.

 

O poema é incompleto,

É preciso ler,

O que se escreve com a tinta

Que se não vê,

Aquela que se põe entre as palavras,

Que aparece depois dos acentos,

Aquela que é como nós,

Que estamos juntos e ninguém

Vê, na nossa invisibilidade,

Escondidos,

Como se ladrões fossemos,

Porque assim queremos

E desejamos.

 

Com essa tinta escrevo palavras

Que só tu poderás achar,

Porque para isso é preciso saber

Sonhar,

É preciso ter enorme esperança,

E querer.

 

Eu vejo-te,

Sei onde estás,

Sei o que queres,

E o que não sei não quero saber,

Sei que te importas,

Sei do que gostas

E como gostas,

Sei que sabes o mesmo

De mim,

E que o que não sabes

Também não queres saber,

Porque mais importante que tudo

Maior, mais forte,

É gostar como gostamos,

 

Amar como amamos,

Sentir como sentimos,

Ler como lemos,

O que está escrito, aqui,

Com a tinta que se não vê,

Aqui entre linhas,

Aqui entre palavras,

As minhas palavras …

As tuas respostas …

As nossas promessas …

 

Nós …

 

 

 

 

 

Poesia-sem-Poeta

 

Para que a poesia aconteça

Aqui,

Não precisa haver poeta!

 

A “Poesia-sem-Poeta”

É mais verdade,

Não tem versos

Nem rimas,

Vive sem pontuação,

Num misturar de olhos,

Num simples dar

A mão!

 

A “Poesia-sem-Poeta”

É mais vida,

Sem palavras arranhadas,

Sem pena,

Na esquina que se cruzou,

No degrau que se subiu,

Na vontade que o conquistou!

 

A “Poesia-sem-Poeta”

É mais paixão,

Sem sonhos desenhados,

Afogados na sofreguidão,

Sem dia que dela seja,

Sem espera,

Sem solidão!

 

A “Poesia-sem-Poeta”

É mais amor,

Mais amizade,

Cumplicidade …

É sempre a nossa,

Lida, vivida, sentida,

Com magia,

Com imaginação.

 

 

 

 

 

Palavras

 

Gostava de conseguir inventar

Uma palavra,

Nova, grandiosa no sentido,

Bela na imagem,

Cheia de melodia em cada som,

Articulada no carinho,

Macia como cada ternura,

Forte como um amor sem tamanho,

Quente feita paixão ardente,

Oferecida como jóia,

Lida como verso de poeta,

Ouvida como oração fervorosa,

Envolta em mil outras “Palavras”

Que TE mostrassem

Tudo o que sinto AQUI,

AGORA, SEMPRE.

 

Mas não sei inventar “Palavras”,

Todas as que sinto já o foram,

Todas a que te disse

Alguém as usou antes de MIM,

E gastas pelos tempos

Continuam,

A criar poemas, rimas,

Frases, enlevos…

 

Mas mesmo assim continuam

A ser apenas, “Palavras”,

Coisas soltas, letras alinhadas

Em sons que se pensam

Escutar,

Mesmo que a música não toque,

Que a melodia seja

De violinos desafinados,

De rádios quebrados,

E as imagens,

Reflexos de espelhos

Embaciados.

 

Por isso o que sinto tu vês,

Entra-te pelos olhos

Em cada noite assomada,

Invade-te o corpo em cada toque,

Inflama-te os sentidos,

DÁ-TE de MIM,

Mesmo sem “Palavras”,

Porque nelas não encontrarás

Nunca,

O que o meu silêncio

Te oferece.

 

 

 

 

 

Amo-te não se diz

 

Dizemos coisas, muitas coisas e dessas

Coisas, há coisas que se fazem, coisas que se cumprem

Nas promessas, nas juras, no louvor

Desta ou daquela amizade, no arder

Da mais forte paixão, no sabor adocicado

De um amor que afaga as palavras que se fazem,

De cada floresta que cresce nos olhos,

No silvo da folha verde que a língua

Mastigou com olhos de verdade.

 

Dizemos coisas, muitas coisas e dessas

Coisas, há coisas que queríamos fazer, na sinceridade

Com que as afirmámos, na intenção em que as pintámos

Naquele momento em que os olhos, os TEUS olhos

Juntaram as forças de muitos mares, acenderam

Mil fogueiras de desejo, tornaram transparentes

Medos, gritaram os segredos escondidos

Em todas as mãos fechadas, mas as coisas

Que queríamos fazer não chegaram a ser

Feitas, porque faltou o abraço, as mãos dadas

Escorregaram, os pés não conseguiram pisar

Aquele quadrado de chão

Que os esperava.

 

Dizemos coisas, muitas coisas e dessas

Coisas, há coisas que dissemos que faríamos

Mas que eram mentiras, mentiras ditas como se fossem

Verdades, rosas em que o vermelho foi

Pintado á mão, colorido sobre o negro

Da ilusão afirmada,

Onde o doce que se ofereceu, não passava

De veneno disfarçado em anis,

Servido num copo sem pé, pela mão do leproso

A quem faltam bocados, apodrecidos

Pela mentira, pela sedução insinuada

Num beijo em que a língua bífida, invade

A boca que ofereces para amar.

 

Dizemos coisas, muitas coisas e dessas

Coisas, há coisas que nunca deveríamos ter dito,

Apenas porque não deveriam ser ditas,

Apenas porque não valia a pena dizê-las,

Apenas porque foram arremessadas,

Apenas porque eram palavras desperdiçadas,

Apenas porque quem as ouviu não queria,

Apenas porque quem as disse já sabia,

Apenas porque há coisas …impossíveis de dizer,

Apenas porque AMO-TE não se diz!

 

 

 

 

 

Inunda-me

 

Chega-te aqui,

Onde a noite não existe,

Apagada pelo fogo do prazer,

Nas labaredas altas

Que o teu olhar acendeu,

Nas brasas remexidas

Pelas tuas mãos.

 

Chega-te aqui,

Percorre cada sulco da pele,

Cada rio que fizeste nascer,

Cada sol que se despertou,

Faz-me voo nocturno,

Cavalga a brisa que me soprou.

 

“Inunda-me”

De tudo o que de ti deixaste

Escorrer.

 

 

 

 

 

Hoje tenho-te aqui

 

É um desassossego que se instala,

É um enorme estremeção,

É o silencio de cada noite,

É o rugir do tenebroso vulcão,

É um estar porque se quer,

É uma melodia feita de flores,

É um desejo, uma sublimação,

É um não sei quê de magia,

É a luz que nos olhos

Nos inunda de alegria …

 

E corremos,

E tropeçamos,

E estamos quando não estamos,

E lutamos quando nos encontramos,

E amamos quando nos encostamos,

E amamos …

 

Somos o que queremos ser,

Vivemos o que queremos viver,

Temos o que queremos ter …

 

“Hoje tenho-te-aqui” assim!

 

 

 

 

 

Poeta

 

“Poeta” não sou,

Escrevo com uma pena torta,

Palavras que não consigo ler.

 

O que alinho, cada letra,

Nasce dentro dos olhos,

Diluída pelas chuvas ácidas

De desilusões, injustiças,

Fantasmas, medos, sonhos

Misturados em mágoas,

Gotas de amor, de paixão,

Ódios e uma raiva enorme

Perante a impotência diária

De nada conseguir mudar,

Mesmo que lute, mesmo que invista,

Mesmo que morra.

 

Quando escrevo, é como se

Água corresse, arrastando todo o lixo,

Limpando tudo …

 

Mas depois se releio, magoa,

Fere, e o sabor que fica na boca

É amargo, como se veneno fosse,

E os olhos não resistem,

O soluço solta-se.

 

Gostava de escrever sussurros

E não gritos,

Murmúrios de ribeiro

E não o barulho das cataratas,

O sopro leve da brisa

E não o uivo do furação enraivecido.

 

Como vou conseguir

Amar assim?

 

Talvez no dia em que conseguir

Ser “Poeta”.

 

 

 

 

 

Bailarina

 

A Bailarina linda de sabrinas pretas,

Nem sempre usava sabrinas

E, nem sempre eram pretas quando as usava.

A Bailarina tinha outros pés

Com outras cores, pés que a afastavam

Do chão que pisava, que transformavam

A perna, moldavam, encantavam.

 

O andar da Bailarina, dançava,

Numa leveza de algodão,

Na elegância de cada felino

Que a habitava, dando a cada passo

A nota de uma melodia,

Que a acompanhava

E assustava.

 

O cabelo de oiro da Bailarina, escondia

O vermelho que por baixo vivia,

O vermelho que era seu,

Que fervia debaixo da pele,

Que pulsava irrequieto,

Que a movia e agitava.

 

Os olhos de cegonha da Bailarina,

Que viam para dentro de cada chaminé,

Que viam mas não guardavam,

Já tinham olhado e guardado,

Já tinham visto e sentido,

Já tinham chorado e amado,

E de todo o humedecido

Corrido; secado.

 

A Bailarina de coxas perfeitas,

Andar esvoaçante e, pés de várias cores,

Com sabrinas pretas

Que nem sempre eram pretas,

Interpretava melodias

Que apenas nos seus ouvidos

Ouvia,

Parecendo desalinhada da vida

Que por fora se sentia.

 

Tudo o que por dentro sentia,

A Bailarina por fora ocultava.

 

 

 

 

 

Ecoas-me

 

“Ecoas-me”

No esgrimir de cada olhar,

Nos brilhos dos olhos

Fechados,

No toque aveludado da pele,

Na brisa suave

De cada respirar,

Na tenaz que me prende

A cintura,

Nos segredos da tuas coxas,

Nas mãos que desenham

Prazeres,

Na língua que compõe

Mais um poema,

Na melodia composta

Na pedra desta calçada.

 

“Ecoas-me”

Em cada insinuação,

Na raiva primária

De cada dúvida,

Na acusação infundada

Arremessada,

No choro que me estremece,

No calor que me gela,

Na fúria que me nasce…

Aqui.

 

Scatola

 

Il nastro di seta rossa ripiegato, custodito nel “Barattolo” vuoto del caffè.

Il foglio di carta da regalo colorato, sistemato nel ripiano del comò dove c’erano le camicie.

Il vestito di pizzo bianco, bordato dalle tarme nate dal tempo,

La treccia di capelli biondi che fuggì della testa della bimba che è cresciuta,

Il secondo dell’orologio avvolto nella corda arrugginita della chitarra caduta.

La busta gialla senza nome, tagliata, piena di francobolli timbrati.

I segni della fotografia del tappeto di una spiaggia, al tramonto del sole.

Il sogno ordinato in uno scaffale tra scatole di fiocchi di cereali e pacchi di spaghetti.

Il rosso di calde labbra, lasciato sul bicchiere di birra.

Le ceneri che mi coprono, uscite da un corpo freddo gettato nel vento.

Il sentimento schiacciato nel mortaio, dove il pestello ha piedi d’argilla.

Gli stivali calzati ai piedi, di gambe che si rifiutano di andare.

La donna che perse gli occhi, lo sguardo d’amore di chi si fece cieco.

Le parole della storia incompiuta nelle pagine di un libro che prese fuoco.

Il fosforo bruciato, caduto in qualche luogo tra sogno e tempo.

Il viso di chi nacque dalla polvere nera striata, ed è attaccato a un filo sospeso a questo chiodo.

La virgola che non restò e cadde, nel mezzo di una frase d’amore.

Il punto che ormai non è più qui, mutando il luogo d’incontro.

Lo scalino dove inciampai, ma continuo ancora a salire su questa scala a spirale.

La vita che ….

 

 

 

 

 

Noi

 

So che mi leggi,

So che mi leggi sempre,

Che vibri, che senti,

So e a volte non dico …

 

Perché?

Perché domandi se già sai?

 

Non dico,

Perché il poeta non dice tutto,

Perché il verso si perderebbe

Se schiarisse tutto,

Sarebbe vuoto di mistero,

Smetterebbe di essere poesia.

 

La poesia è incompleta,

Bisogna leggere,

Ciò che si scrive con inchiostro

Che non si vede,

Quello che si pone tra le parole,

Che appare dietro gli accenti,

Quello che è come noi,

Che stiamo insieme e nessuno

Vede, nella nostra invisibilità,

Nascosti,

Come fossimo dei ladri,

Perché così vogliamo

E desideriamo.

 

Con questo inchiostro scrivo parole

Che solo tu potrai trovare,

Perché per questo è necessario saper

Sognare,

È necessario avere una grande speranza,

E volontà.

 

Io ti vedo,

So dove sei,

So quello che vuoi,

E quello che non sei non voglio saperlo,

So che t’importa di me,

So quello che ti piace

E come ti piace,

So che sai lo stesso di

Me,

E quello che non sai

lo stesso non vogliono saperlo,

Perché la cosa più importante di tutto

La più grande, la più forte,

È piacersi come siamo.

 

Amare come amiamo,

Sentire come sentiamo,

Leggere come leggiamo,

Ciò che sta scritto qui

Con l’inchiostro che non si vede,

Qui tra le righe,

Qui tra le parole,

Le mie parole …

Le tue risposte …

Le nostre promesse …

 

Noi …

 

 

 

 

 

Poesia-senza-Poeta

 

Perché la poesia accada

Qui,

Non c’è bisogno del poeta!

 

La “Poesia-senza-Poeta”

È più vera,

Non ha versi

O rime,

Vive senza punteggiatura,

In una mescolanza di occhi,

In un semplice dar

La mano!

 

La “Poesia-senza-Poeta”

È più vita,

Senza parole gracchiate,

Senza pena,

Nell’angolo che abbiamo incrociato,

Nel gradito che abbiamo salito,

Nella volontà che lo ha conquistato!

 

La “Poesia-senza-Poeta”

È più passione,

Senza sogni disegnati,

Soffocati nell’ansia,

Senza giorni che siano suoi,

Senza attesa,

Senza solitudine!

 

La “Poesia-senza-Poeta”

È più amore,

Più amicizia,

Complicità …

È sempre nostra,

Letta, sentita, vissuta,

Con magia,

Con immaginazione.

 

 

 

 

 

Parole

 

Mi sarebbe piaciuto inventare

Una parola,

Nuova, grandiosa nel senso,

Bella nell’immagine,

Piena di melodia in ogni suono,

Articolata nell’affetto,

Morbida come ogni tenerezza,

Forte come un amore senza grandezza,

Calda fatta passione ardente,

Offerta come gioiello,

Letta come verso di poeta,

Sentita come fervente preghiera,

Avvolta in mille altre “Parole”

Che TI mostrassero

Tutto quello che sento QUI,

ORA, SEMPRE.

 

Ma non so inventare “Parole”,

Tutte quelle che sento furono già inventate,

Tutte quelle che ti dissi

Un altro le usò prima di me,

E consumate dal tempo

Continuano,

A creare poemi, rime,

Frasi, conforti …

 

Ma anche così continuano

a essere solo “Parole”

Cose sciolte, lettere allineate

In suoni che si crede

Di ascoltare,

Benché la musica non suoni,

Benché la melodia sia

Di violini stonati,

Di radio rotte,

E le immagini,

Riflesse da specchi

Appannati.

 

Per questo quello che sento tu vedi,

Ti entra dagli occhi

In ogni notte spuntata,

Ti invade il corpo in ogni tocco,

Ti infiamma i sensi,

Ti dà me,

Anche senza “Parole”

Perché in loro non incontrerai

Mai

Quello che il mio silenzio

Ti offre.

 

 

 

 

 

Ti amo non si dice

 

Diciamo cose, molte cose e di queste

Cose, ci sono cose che si fanno, cose che si compiono

Nelle promesse, nei giuramenti, in onore

Di questa o di quell’amicizia, nell’ardere

Della passione più forte, nel sapore addolcito

Di un amore che stringe le parole che si creano,

Da ogni foresta che cresce negli occhi,

Nel sibilo della foglia verde che la lingua

Masticò con occhi di verità.

 

Diciamo cose, molte cose e di queste

Cose, ci sono cose che vorremmo fare, con la semplicità

Con cui le affermiamo, con l’intenzione con cui le dipingiamo

In quel tempo in cui gli occhi, i TUOI occhi,

Hanno unito le forze di molti mari, hanno acceso

Mille focolai di desiderio, hanno reso trasparenti

Paure, hanno gridato i segreti nascosti

In tutte le mani chiuse, ma le cose

Che vorremmo fare non arrivarono a essere fatte

Perché è mancato l’abbraccio, le mani date

Sono scivolate, i piedi non sono riusciti a calcare

Quel quadrato di terra

Che li stava aspettando.

 

Diciamo cose, molte cose e di queste

Cose, ci sono cose che dicemmo che avremmo fatto

Ma erano bugie, bugie dette come fossero

Verità, rose delle quali il vermiglio

è stato dipinto a mano, colorato sul nero

Dell’illusione affermata,

Dove il dolce che è stato offerto, non si crede

veleno camuffato in anice,

Servito in una coppa senza stelo, dalla mano del lebbroso

Al quale mancano sorsate, putrefatte

Dalla menzogna, dalla seduzione insinuata

In un bacio dove la lingua biforcuta invade

La bocca che si offre per amare.

 

Diciamo cose, molte cose e di queste

Cose, ci sono cose che mai avremmo dovuto dire,

Semplicemente perché non dovevano essere dette,

Semplicemente perché non valeva la pena dirle:

Semplicemente perché sono state buttate,

Semplicemente perché sono state parole sprecate,

Semplicemente perché chi le ha ascoltate non voleva ascoltarle,

Semplicemente perché chi le ha dette già sapeva,

Semplicemente perché ci sono cose …impossibili da dire,

Semplicemente perché TI AMO non si dice!

 

 

 

 

 

Inondami

 

Vieni qui,

Dove la notte non esiste,

Cancellata dal fuoco del piacere,

Nelle alte fiammate

Che il tuo sguardo ha acceso,

Nelle braci attizzate

Dalle tue mani.

 

Vieni qui,

Percorri ogni solco della pelle,

Ogni fiume che hai fatto nascere,

Ogni sole che si è svegliato,

Fammi volo notturno,

Cavalca la brezza che mi ha soffiato.

 

Inondami

Di tutto quello che ti sei lasciata

Scorrere.

 

 

 

 

 

Oggi ti ho qui

 

È un’inquietudine che si posa,

È un enorme tremore,

È il silenzio di ogni notte,

È il ruggito del vulcano tenebroso,

È uno stare perché si vuole,

È una melodia fatta di fiori,

È un desiderio, una sublimazione,

È un non so che di magia,

È la luce che negli occhi

ci inonda di allegria …

 

E corriamo,

E inciampiamo,

E stiamo quando non stiamo,

E lottiamo quando ci incontriamo,

E amiamo quando ci avviciniamo,

E amiamo …

 

Siamo quello che vogliamo essere,

Viviamo quello che vogliamo vivere,

Abbiamo quello che vogliamo avere …

 

“Oggi ti ho qui”, in questo modo!

 

 

 

 

 

Poeta

 

Non sono “Poeta”,

Scrivo con una penna storta,

Parole che non so leggere.

 

Quello che allineo, ogni lettera,

Nasce dentro gli occhi,

Diluita nelle piogge acide

Delle delusioni, ingiustizie,

Fantasmi, paure, sogni

Mischiati al dolore,

Gocce d’amore, di passione,

Odi e una rabbia enorme

Davanti all’impotenza quotidiana

Di non riuscire a cambiare nulla,

Benché lotti, benché colpisca,

Benché muoia.

 

Quando scrivo, è come se

L’acqua scorresse, trascinando tutta la sporcizia,

Pulendo tutto …

 

Ma poi se riletto, fa male,

Ferisce, e il sapore che rimane in bocca

È amaro, come fosse veleno,

E gli occhi non resistono,

Il pianto si scioglie.

 

Mi piaceva scrivere sussurri

E non grida,

Mormorii di ruscelli

E non il rumore delle cataratte,

Il soffio lieve della brezza

E non l’urlo dell’uragano rabbioso.

 

Come posso riuscire

Ad amare in questo modo?

 

Forse il giorno in cui riuscirò

A essere “Poeta”.

 

 

 

 

 

Ballerina

 

La bella Ballerina dalle scarpette nere,

Non sempre usava le scarpette

E non sempre erano nere quando le usava.

La Ballerina aveva altri piedi

Di altri colori, piedi che la sollevavano

Dal suolo che calcava, che trasformavano

La gamba, modellavano, incantavano.

 

L’incedere della Ballerina danzava

In una levità di cotone,

Nell’eleganza di ogni felino

Che l’abitava, dando a ogni passo

La nota di una melodia,

Che l’accompagnava

E intimidiva.

 

I capelli d’oro della Ballerina

Nascondevano sotto il rosso che viveva,

Il rosso che era suo,

Che ferveva sotto la pelle,

Che pulsava irrequieto,

Che la muoveva e l’agitava.

 

Gli occhi di cicogna della Ballerina,

Che vedevano in ogni camino,

Che vedevano ma non trattenevano,

Avevano già guardato e trattenuto,

Avevano già visto e sentito,

Avevano già pianto e amato,

E tutto l’umido corso

Essiccato.

 

La Ballerina dalle gambe perfette,

Andava svolazzando

E, piedi di vari colori, con scarpette nere,

Che non sempre erano nere

Interpretava melodie

Che appena nelle sue orecchie

Sentiva,

Sembrando disallineata dalla vita

Che fuori si sentiva.

 

Tutto quello che dentro si sentiva

La Ballerina fuori occultava.

 

 

 

 

 

Echeggiami

 

Echeggiami

Nella stoccata d’ogni sguardo,

Nel brillo degli occhi

Chiusi,

Nel tocco vellutato della pelle,

Nella brezza soave

D’ogni respiro,

Nella tenacia che mi prende

Alla cintura,

Nei segreti delle tue cosce,

Nelle mani che disegnano

Piaceri,

Nella lingua che compone

Ancora una poesia,

Nella melodia composta

Nella pietra di questo marciapiede.

 

Echeggiami

In ogni insinuazione,

Nella rabbia primaria

D’ogni dubbio,

Nell’accusa infondata,

Scagliata,

Nel grido che mi scuote,

Nel calore che mi gela,

Nella furia che mi nasce …

Qui.

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