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Georgina Erismann

A cura di Emilio Capaccio

GeorginaGeorgina Erismann, nome completo Georgina de Mello Lima Erismann, nacque il 27 gennaio del 1893 a Feira de Santana, nello stato di Bahia, Brasile. Figlia di Camillo de Mello Lima, cronista di alcuni giornali locali, e di Leonilda Bacelar de Mello Lima, ricevette la sua prima istruzione e le sue prime nozioni di musica dalla madre che era pianista e maestra elementare del municipio. Dopo essere stata iscritta a una scuola complementare, Georgina dimostrò precocemente il suo talento artistico e letterario scrivendo le sue prime composizioni poetiche e recitando in alcune rappresentazioni teatrali. Il sogno di Gergina era però diventare maestra di musica e avere una propria scuola. La madre, notando le attitudine della figlia per la musica, decise di iscriverla all’ “Instituto de Música” di Bahia per indirizzarla allo studio del pianoforte. In seguito, con l’intento di perfezionare ulteriormente lo studio, si recò per qualche tempo a Rio de Janeiro, prendendo lezioni di armonia e composizione dal maestro Francisco Nunes (1875-1934). Di ritorno a Feira de Santana organizzò varie rappresentazioni letterario-musicali nel “Teatro Santana” e cominciò a impartire lezioni di piano. Contemporaneamente continuò la sua attività poetica componendo poesie, inni, canzoni e cronache, alcuni dei quali pubblicati su vari giornali locali e della capitale. Si accrebbe il suo prestigio per i suoi meriti artistici, diventanto nota in tutta Bahia e a Rio de Janeiro. A Feira de Santana i genitori possedevano anche una pensione, chiamata “Pensão Universal”, provvista di un grande salone e di un bar, frequentata da commercianti, venditori e visitatori della città. Nella sala della musica della pensione molta gente andava ad assistere le esibizioni di Georgina che interpretava bellissime partiture scritte di proprio pugno; tra questi c’era l’ingegniere Walter Tudy Erismann con il quale Georgina strinse una relazione amorosa che culminò nel matrimonio, l’8 settembre del 1926. Dal matrimonio i coniugi non ebbero figli. Qualche mese più tardi, il 16 maggio del 1927, Georgina Erismann fu designata maestra di Musica e di Canto presso la “Escola Normal” di Feira de Santana (oggi CUCA). Qui, istruì un coro di alunne che nelle date commemorative cantavano inni e brani musicali scritti dalla stessa compositrice, come in occasione del 1° anniversario della nascita della scuola, sotto la direzione di Georgina Erismann, quando il coro rappresentò per la prima volta l’ “Hino a Feira”, composto da lei stessa e diventato uno dei suoi inni più celebri. Fece continui viaggi a Salvador e a Rio de Janeiro, frequentando vari movimenti artistici e culturali, e suscitando l’interesse di molti cantanti popolari dell’epoca, come Jorge Fernandes (1907-1989), che divenne amico intimo della famiglia Erismann, Olga Praguer Coelho (1909-2008) e Cristina Maristany (1906-1966). Alcune composizioni poetiche di Georgina Erismann furono incise e interpretate da questi stessi cantanti. Per i suoi meriti artistici, nel 1936, fu incaricata dal Governatore di Bahia, Juraci Magalhães (1905-2001), di rappresentare ufficialmente lo stato baiano nella “Fiera Artistica, Industriale e Commerciale” che si tenne nella città di Campinas, nello Stato di San Paolo, in occasione del centenario della nascita del grande compositore Antônio Carlos Gomes (1836-1896). Successivamente, si recò a Salvador, in compagnia di Jorge Fernandes, per realizzare varie rappresentazioni musicali con l’Orchestra “Laborda”, nella Associazione degli Impiegati del Commercio, nel Club Baiano del Tennis Club, nel Club Carnevalesco Fantocci di Bahia e nell’attuale Radio Società di Bahia. Georgina Erismann morì prematuramente nella sua residenza di Rio de Janeiro, in seguito a un male fulmineo, il 23 febbraio del 1940. Una quindicina di giorni prima, il 7 febbraio, aveva pubblicato la sua ultima opera: Solicitude. La città di Feira de Santana ha reso onore alla memoria della compositrice attribuendo il suo nome a una strada e dando alla Escola de Música de Feira il nome: Escola de Música Georgina de Mello Erismann.

 

(*) I cenni biografici della compositrice e una selezione delle sue poesie qui tradotte, sono stati tratti dal libro Georgina Erismann di Carlos Alberto Almeida Mello, anno 2007, con il patrocinio della Fundação Senhor dos Passos”e del Núcleo de Preservação da Memória Feirense. Allo storiografo e poeta, Carlos Alberto Almeida Mello, vanno i più sentiti ringraziamenti.

 

(**) Si ringrazia altresì la cara amica Cleide Eugenio Silva.

 

Inclemência

 

O coração da terra anda chorando,

com saudades da chuva …

Por mais que o céu prometa,

dos olhos das estrelas,

as lágrimas não caem …

O sol devora tudo.

Tornou-se cor de bronze,

a mata, que era verde.

Calaram-se todas as fontes …

Morreram os passarinhos …

Há fome pelas estradas.

Há sede pelos caminhos.

 

 

 

Chuva

 

A chuva é ouro que cai do céu

para o mealheiro do pobre …

e para as veias anêmicas da terra febril

a chuva é sangue.

Há murmúrios cantantes de águas claras.

Há promessas de fartura nos milharias.

Andam pintores invisíveis retocando

o quadro verde da campina,

desbotado pelo sol …

e a natureza agora, toda fresquinha,

lembra uma moça convalescente,

a quem deram lindos vestidos novos.

 

 

 

Rede

 

Cipó do mato ainda verde

cheio de malhas

trançado em nós …

que veio das mãos de uma mulher humilde

para o capricho do meu repouso …

A minha rede de caroá

é fofa e mole como um bercinho

de algum menino bem pobrezinho.

Quando me embala – eu cuido ouvir,

no canto chão de sua corda,

a voz das selvas e das florestas

ou a carícia comovedora

de uma mãe preta contando história.

 

 

 

Solicitude

 

Na tarde cinza que vai morrendo …

uma onda de saudade,

de repente, me invade.

E o pensamento, prendendo-se à distância,

forma um inquérito emotivo:

“Que será feito dos meus pobres,

dos probrezinhos com que eu dividia

o pão da minha alegria?

Que será feito do meu gato Baiano,

sem ouvir mais o meu piano?

E da nossa constante lavadeira,

misto de mármore e de carvão?

Estará florida minha cajazeira,

e os pássaros que nela saltitavam,

ainda aí cantarão?

Estará viçosa a hera da parede,

e que fim levaria minha rede?”

Quanta lembrança tenho,

de tudo que foi meu …

Como a gente quer bem,

á Terra onde nasceu!

 

 

 

A fuga das andorinhas

 

Num céu de prata oxidada,

nem um fiapo azul …

Toda a Fauna, arrepiada pelo frio,

embioca-se nas matas e nos grotões.

Extravasam os tanques.

Alargam-se os brejos.

E, na calma cinzenta da terra molhada,

ouve-se apenas

a monodia de Chuva …

È o inverno que chega,

são andorinhas que partem,

buscando novo sol,

querendo nova luz.

 

 

 

Arenga

 

Cigarra, me disseram que você

é a cantora mais falada

do orfeão da floresta.

Que a doidice

dos Besouros-barítonos

é por causa da sua voz …

Que os Grilos-tenores

vivem morrendo de ciúmes …

E ainda mais, Cigarra:

disseram-me que você

anda agora costantemente embriagada,

porque bebe sol, muito sol …

 

 

 

Balão

 

Alma de querosene,

corpo de seda,

balão …

Pirilampo esverdeado,

metendo medo às estrelas,

porque vai de perto

vê-las.

Lanterninha japonesa

dependurada no céu …

Como lâmpada votiva,

sua luz bem fugitiva

vai contar a São João

fragmentos de Ilusão …

 

 

 

Carnaval

 

A mascarada passa alegre sacudindo

os guizos do Prazer, o pó das Amarguras …

e descuidosa vai, cantarolando e rindo,

assim alerquinando, em gestos e mesuras.

São manequins da Vida, o gozo repartido,

numa “revanche” doida às suas desventuras …

e nada mais querendo e nada mais sentindo,

que exaltação fugaz de rápidas loucuras.

Tristonha humanidade, espelho de “Pierrot”!

engana o teu martírio, assim ele enganou:

tocando soluçante um velho bandolim.

Repete a tua farsa, extravagante e fina,

que neste mundo ingrato, a nossa pobre sina

é bem um Carnaval esplêndido e sem fim.

 

 

 

Flagelados

 

Sob a luz violácea de um crepúsculo magoado,

eles passam …

Levam n’alma dorida a saudade do mato,

e nos olhos tristonhos a visão bem-querida,

do ranchinho de palha que distante ficou.

A fraqueza no rosto, o cansaço nos pés …

levantando a poeira das estradas ardentes,

vão ao léu do destino …

Levam tudo que tinham quando a fome chegou:

uma rede, una esteira …

Nada mais,

tão somente, a bagagem moral,

do infortúnio maldito …

que os obriga a fugir.

 

 

 

Exortaçáo

 

Deixa teu pensamento voar feliz,

como os pardais e como as andorinhas …

asas cortando o azul do ceú imáculo,

penas enchendo a selva de alegria.

Deixa teu pensamento sem destino,

atravessando mares e montanhas …

Beijar a espuma das ondinas brancas,

beber a seiva dos jasmins agrestes.

Abre a clausura que o retém cativo

– pobre canário louco pelo espaço –

Liberta-o para a luz, para a beleza

transcendental das coisas intangíveis.

Rompe a rotina desse tédio triste,

vive fora da vida. Canta! Sonha!

Ergue teu pensamento além das nuvens.

 

Inclemenza

 

Il cuore della terra sta piangendo,

con nostalgia della pioggia …

Benché il cielo prometta,

dagli occhi delle stelle,

non cadono le lacrime …

Il sole divora tutto.

Si fece cuore di bronzo,

il bosco, che era verde.

Tacquero tutte le fontanelle …

Morirono gli uccelli …

C’è fame per le strade.

C’è sete lungo i cammini.

 

 

 

Pioggia

 

La pioggia è oro che cade dal cielo

per il salvadanaio dei poveri …

e per le vene anemiche della terra febbrile

la pioggia è sangue.

Ci sono mormorii cantanti di limpide acque.

Ci sono infinite promesse d’abbondanza.

Vanno pittori invisibili ritoccando

il quadro verde della pianura,

sbiadita dal sole …

e la natura adesso, tutta rinfrescata,

ricorda una ragazza convalescente,

alla quale hanno dato bei vestiti nuovi .

 

 

 

L’amaca

 

Cipó[1] del bosco ancora verde

pieno di maglie

intrecciate in noi …

che vedo dalle mani di un’umile donna

per il capriccio del mio riposo …

La mia amaca di caroá[2]

è soffice ed elastica come una culla

di qualche bambino poverello.

Quando mi dondola – sto attenta ad ascoltare,

dal lato basso della sua corda,

la voce di giungle e di foreste

o la carezza commovente

di una madre nera che conta storie.

 

 

 

Sollecitudine

 

Nel grigio meriggio che sta morendo …

un’onda di nostalgia,

all’improvviso m’invade.

E il pensiero, alzandosi nella distanza,

forma un triste motivo:

“Che cosa n’è stato dei miei poveri,

i poverelli con cui dividevo

il pane della mia allegria?

Che cosa n’è stato del mio gatto Baiano,

senza sentire più il mio piano?

E della nostra incessante lavandeira[3],

mista di marmo e di carbone?

Sarà fiorita la mia cajazeira[4],

e gli uccelli che su di essa saltellavano,

staranno ancora cantando?

Sarà rigogliosa l’edera della parete,

e che fine avrà fatto la mia amàca?”

Quanta memoria ho,

di tutto quello che era mio …

Come vogliamo bene,

alla Terra in cui siamo nati!

 

 

 

La fuga delle rondini

 

In un cielo d’argento ossidato,

neanche un filo d’azzurro …

Tutta la Fauna, rabbrividita per il freddo,

s’incappuccia nel bosco e nei grottoni.

Traboccano i lavatoi.

S’allargano le paludi.

E, nella calma grigia della terra bagnata,

si sente appena

la monodia della pioggia …

È l’inverno che arriva,

sono rondini che partono,

cercando nuovo sole,

volendo nuova luce.

 

 

 

Arringa

 

Cicala, mi hanno detto che tu

sei la cantante più chiacchierata

del coro della foresta.

Che la pazzia

dei Coleotteri-baritoni

è a causa della tua voce …

Che i Grilli-tenori

vivono morendo di gelosia …

E c’è di più, Cicala:

mi hanno detto che tu

ora vai costantemente ubriaca,

perché bevi sole, tanto sole …

 

 

 

Palloncino

 

Anima di cherosene,

corpo di seta,

palloncino …

Lucciola verdastra,

che metti paura alle stelle,

perché vai da vicino

a guardarle.

Lanternina giapponese

pendente nel cielo …

Come lampada votiva,

la tua luce fuggitiva

va a contare a San Giovanni

frammenti d’Illusioni.

 

 

 

Carnevale

 

La mascherata passa allegra scuotendo

i sonagli del Piacere, la polvere dei Dolori …

e così incurante va, canticchiando e ridendo,

arlecchinando, nei gesti e negli inchini.

Sono manichini di vita, la gioia ripartita,

in una folle “revanche” sulle loro disavventure …

e niente più volendo e niente più sentendo,

che esaltazione fugace di rapide pazzie.

Triste umanità, specchio di “Pierrot”!

inganna il tuo martirio, come lui ingannò:

suonando singhiozzante un vecchio mandolino.

Ripeti la tua farsa, stravagante e fina,

che in questo mondo ingrato, il nostro povero destino

è un Carnevale assai splendido e senza fine.

 

 

 

Flagellati

 

Sotto la luce violacea di un crepuscolo

affranto, passano …

Portano nell’anima dolorosa la malinconia dei boschi,

e negli occhi tristi la visione assai cara,

del capanno di paglia che rimase distante.

La fiacchezza sul volto, la stanchezza ai piedi …

sollevando la polvere di strade ardenti,

vanno alla deriva del destino …

Portano tutto quello che avevano quando la fame arrivò:

un’amaca, una stuoia …

Niente più,

questo solamente, il bagaglio morale,

della sfortuna maledetta …

che li obbliga a fuggire.

 

 

 

Esortazione

 

Lascia il tuo pensiero volare felice,

come i passeri e come le rondini …

ali che tagliano l’azzurro del cielo immacolato,

piume che empiono il bosco d’allegria.

Lascia il tuo pensiero senza destinazione,

attraversare mari e montagne…

Baciare la schiuma delle bianche ondeggiate,

bere la linfa di gelsomini selvatici.

Apri la clausura che lo tiene prigioniero

― povero canarino folle nello spazio ―

Liberalo alla luce, alla bellezza

trascendente le cose intangibili.

Rompi la routine di questo triste tedio,

vivi fuori dalla vita. Canta! Sogna!

Eleva il tuo pensiero oltre le nuvole.

 

[1] Nome comune di piante sarmentose delle zone aride dell’America tropicale.

[2] Tessuto tessile ricavato dall’omonima pianta.

[3] Nome scientifico “Fluvicola nengeta”. È un uccello passeriforme originario del Brasile e del Sudamerica, dalla livrea bianca contrastata da una stretta fascia nera alle estremità delle ali, della coda e nella regione auricolare.

[4] È una pianta fruttifera appartenente alla famiglia delle anacardiacee. È diffusa in tutto il Brasile e nella zona tropicale dell’America. Può arrivare fino a 25 metri di altezza. Il legno è di colore bianco con foglie e fiori profumati. Le drupe, (cajás) sono di colore rosso-arancio con polpa acidula e resinosa, e sono commestibili.

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