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Jorge Reis-Sá, Tucho

Tucho

Dizem dele que foi um animal frondoso de espírito,
pequeno em tamanho, enorme na estimação. Morreu
nada sabia eu da morte e o seu desaparecimento foi-me
apenas comunicado como um até já. Morreu por um cão
vadio que o tomou pela garganta, como a um condenado.

Ainda hoje não sei se o vi definhar no pátio junto ao
quintal das traseiras da casa, ou se foi minha avó quem
mo disse e o imaginei quando criança para o tornar
realidade. Há tanto que não me aconteceu mas que
acredito até à mais vil tortura. Dêem-me o afago num
animal que a infância tanto estimou, dêem-me o Tucho
para que o esqueça quase degolado. Dêem-mo vivo
– ninguém chegava perto do menino com ele ao seu lado.

Tucho

Dicono che fosse un animale di spirito frondoso,
piccolo di dimensioni, enorme per affezione. Morì
nulla sapevo della morte e la sua sparizione mi fu
comunicata come a più tardi. Morì per via di un cane
randagio che lo prese alla gola, come un condannato.

Ancora oggi non so se lo vidi languire nel patio attiguo al
cortile sul retro della casa, o se fu mia nonna che
me lo disse e lo immaginai da bambino per trasformarlo
in realtà. C’è così tanto che non mi è successo ma che
credo fino alla più vile tortura. Datemi la carezza a
un animale che l’infanzia tanto amò, datemi Tucho
affinché lo scordi quasi decapitato. Datemelo vivo
– nessuno si avvicinava con lui al fianco del bambino.

Jorge Reis-Sá, Istituto di antropologia, Edizioni Kolibris 2018

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