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Lettera sconosciuta/Letra desconhecida

 

di Manuel Alegre

 

LETTERA SCONOSCIUTA

Verrà come viene la brezza
o la virata della marea e la luna nuova
verrà come quello spazio
dove l’uccello si chiama uccello e dove si scrive
la dolce malinconia del crepuscolo.
Verrà come la parola senza parola che è la parola
con cui Dio si esprime e con cui Dio
tace. Verrà come quella grande interrogazione
quella presenza assenza
di avere Dio e non averlo.
Verrà come la perduta e sempre ripetuta
rivelazione o come l’intima eco
del silenzio infinito. Verrà
come parte del tutto e musica del mondo.
Verrà come la lettera sconosciuta
dell’alfabeto che non ha
tutte le lettere. Verrà come questa lettera
di non si sa chi.
Verrà come
nessuno.
Forse dopo la terra tremerà.
Verrà come viene
la poesia.

 

Traduzione di Chiara De Luca da Nada está escrito, in uscita per Edizioni Kolibris

 

 

 

LETRA DESCONHECIDA

Virá como vem a viração
ou a viragem da maré e a lua nova
virá como aquele espaço
onde o pássaro se diz pássaro e onde se escreve
a suave melancolia do crepúsculo.
Virá como a fala sem fala que é a fala
com que Deus se exprime e com que Deus
se cala. Virá como essa grande interrogação
essa presença ausência
de haver Deus e não haver.
Virá como a perdida e sempre repetida
revelação ou como o íntimo eco
do silêncio infinito. Virá
como parte do todo e música do mundo.
Virá como a letra desconhecida
do alfabeto que não tem
as letras todas. Virá como essa letra
de não se sabe quem.
Virá como
ninguém.
Talvez então a terra trema.
Virá como vem
o poema.

 

Manuel Alegre, de Nada está escrito, Dom Quixote, Lisbona 2012

 

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