Facebook

Nuno Júdice

1Nuno Júdice è nato a Mexilhoeira Grande, Algarve. Oltre ad essere uno dei maggiori poeti contemporanei di lingua portoghese, è saggista, narratore, traduttore e critico letterario. Attualmente è professore di Letteratura all’Universidade Nova di Lisbona, dove vive. Tra il 1969 e il 1974, ha fatto parte della redazione della popolare rivista “Time and Mode”. Nel 1997, è stato consulente culturale dell’ambasciata del Portogallo e direttore dell’Istituto Camões di Parigi. Sue poesie sono state tradotte in spagnolo, italiano, inglese e francese. Lavora per il teatro e ha tradotto autori come Molière, Shakespeare ed Emily Dickinson. Si occupa della sezione cultura della Fondazione José Saramago, creata nel 2008. È stato nominato Grande-Oficial da Ordem de Sant’Iago da Espada in Portogallo e Officier de l’Ordre des Arts et des Lettres in Francia. Júdice ha ricevuto vari riconoscimenti letterari e gli sono stati assegnati numerosi premi, tra cui il prestigioso Reina Sofía per la poesia iberoamericana 2013, il più importante della penisola iberica. Tra le sue opere più recenti ricordiamo: Poesia Reunida (1967-2000) (2000), Pedro, Lembrando Inês (2001), Cartografia de Emoções (2001), O Estado dos Campos (2003), Geometria Variável (2005), As Coisas Mais Simples (2006), O Breve Sentimento do Eterno (2008), A Matéria do Poema (2008), Guia de Conceitos Básicos (2010), Fórmulas de uma luz inexplicável (2012), Navegação de Acaso (2013).

Di Nuno Júdice Edizioni Kolibris ha pubblicato l’antologia A te che chiamo amore, la raccolta poetica La materia della poesia e ha in preparazione Formule di una luce inesplicabile, tutti in edizione bilingue, con la traduzione di Chiara De Luca.

Nuno Júdice ha inoltre curato per Edizioni Kolibris l’antologia Per le parole che si ostinano a restare. Poeti portoghesi contempornei (2016).

Da A te che chiamo amore, Edizioni Kolibris, 2010.

Traduzione di Chiara De Luca

HINO

 

Reconheço a voz errante e longínqua, o sopro

mergulhado na volúpia da sombra, o castanho claro

dos cabelos estéreis num retrato de epílogo. Re-

conheço o frio número da água, a noite perdida

num hálito de anjos, no fontanário grito do ganso.

Essa noite suspensa de um desmaio de nebulosas,

imobilizada pelo tremor dos prelúdios, apressada

amante na descida do abismo, avançou, breve maré,

submergindo a obscura nudez das estrelas no

finito oriente do olhar. Reconheço a falésia

do dormente desejo de eternidade, um flutuar

de precipitações no ritmo das pálpebras, o si-

lêncio, vago íman da impaciência. Murmúrio

de génesis num pousar de dedos, rebordo de limites

na abdicação do gesto. Mágico círculo divino.

 

 

 

 

VOLTA ATÉ MIM NO SILENCIO DA NOITE

 

Volta até mim no silêncio da noite

a tua voz que eu amo, e as tuas palavras

que eu não esqueço. Volta até mim

para que a tua ausência não embacie

o vidro da memoria, nem o transforme

no espelho baço dos meus olhos. Volta

com os teus lábios cujo beijo sonhei num estuário

vestido com a mortalha da névoa; e traz

contigo a maré cheia da manhã com que

todos os náufragos sonharam.

 

 

 

 

PLANO

 

Trabalho o poema sobre uma hipótese: o amor

que se despeja no copo da vida, até meio, como se

o pudéssemos beber de um trago. No fundo,

como o vinho turvo, deixa um gosto amargo na

boca. Pergunto onde está a transparência do

vidro, a pureza do líquido inicial, a energía

de quem procura esvaziar a garrafa; e a resposta

são estes cacos que nos cortam as mãos, a mesa

da alma suja de restos, palavras espalhadas

num cansaço de sentidos. Volto, então, à primeira

hipótese. O amor. Mas sem o gastar de uma vez,

esperando que o tempo encha o copo até cima,

para que o possa erguer à luz do teu corpo

e veja, através dele, o teu rosto inteiro

INNO

 

Riconosco la voce errante e distante, il soffio

sommerso nella voluttà dell’ombra, il castano chiaro

dei capelli sterili in un ritratto d’epilogo. Ri-

conosco la fredda cifra dell’acqua, la notte perduta

in un fiato d’angeli, nel grido di fonte dell’oca.

Questa notte sospesa di un deliquio di nebulose,

immobilizzata dal tremito dei preludi, frettolosa

amante nella discesa degli abissi, avanzò, breve marea,

sommergendo l’oscura nudità delle stelle nel

finito oriente dello sguardo. Riconosco la rupe

del desiderio d’eternità assopito, un fluttuare

di precipitazioni nel ritmo delle palpebre, nel si-

lenzio, vago magnete dell’impazienza. Mormorio

di genesi nel posarsi delle dita, orlo dei confini

nell’abdicazione del gesto. Magico cerchio divino.

 

 

 

 

TORNA DA ME NEL SILENZIO DELLA NOTTE

 

Torna da me nel silenzio della notte

voce che amo, e le tue parole

che mai dimentico. Torna da me

perché la tua assenza non appanni

il vetro della memoria, né lo trasformi

nello specchio opaco dei miei occhi. Torna

con le labbra di cui sognai il bacio in un estuario

rivestito del sudario della nebbia; e trascina

con te l’alta marea del mattino che ogni

naufrago ha sognato.

 

 

 

 

PIANO

 

Lavoro la poesia sopra un’ipotesi: l’amore

che si versa nel bicchiere della vita, fino a metà,

quasi potessimo berlo in un sorso. E in fondo,

come il vino torbido, lascia un gusto amaro

in bocca. Chiedo dov’è la trasparenza del

cristallo, la purezza del liquido iniziale, l’energia

di chi cerca di vuotare la bottiglia; e la risposta

sono questi cocci che ci tagliano le mani, la tavola

dell’anima sudicia di resti, parole versate

in una stanchezza di sensi. Torno, allora, alla prima

ipotesi. L’amore. Ma senza consumarlo in un sorso,

aspettando colmi il tempo il bicchiere fino all’orlo,

perché possa sollevarlo alla luce del tuo corpo

e vedervi attraverso per intero il tuo volto.

Da La materia della poesia, Edizioni Kolibris, 2016

Traduzione di Chiara De Luca

Trabalho diurno

 

Esvaziei a tarde do sol que a enchia;

tirei a luz do céu, balde após balde,

e deitei-a para o poço sem fundo

onde ela caía, num baque surdo,

espalhando pedaços de brilho

pelas paredes húmidas. Quando

o dia ficou sem luz, tapei o poço

com a tampa, e perguntei se alguém

precisava de ser iluminado. Vinham

ter comigo; e perguntavam-me quanto

custava um grama de sol. Eu dizia-lhes:

«É mais caro do que a noite». Mas eles

não se importavam, e juntavam-se

à minha volta, para que eu voltasse

a abrir o poço. E eu, sabendo que

a corda do meu balde não dava para

chegar ao fundo, pedia-lhes que

se atirassem para dentro do poço,

atrás da luz, se não queriam

a noite. Mas eles recusavam; e eu

via-os afastarem-se na obscuridade,

deixando-me sozinho. Então, levantava

a tampa do poço – e via, lá no fundo,

a última luz a desaparecer no abismo.

 

 

 

 

 

Big Bang

 

Escrevo nesta luz fluente o que

o tempo me deixa ver: um eco de astros

nas abóbadas do infinito, com o seu

desenho de som limando as arestas

do silêncio.

 

E alguém me dizia

que não era assim: o espaço arrasta-se

por entre deuses sem préstimo e

as imensidões

vazias de uma lacuna

de galáxias.

 

Mas o astrónomo não perde

tempo com a metafísica; e o que sabe

de religião limita-se a um registo de

nomes, por entre estrelas

e planetas.

 

No entanto, ouve a música que vem

da primeira explosão, e atravessa o universo

de uma ponta à outra. Que palavra se

perdeu no meio de fragmentos de eternidade,

sugada pelo buraco negro do centro?

 

E à noite, quando não há lua

nem nuvens, escrevo no caderno do céu

a frase que as galáxias me ditam, como

se fosse um astrónomo, e ouvisse

o ruído de um motor que não pára.

 

 

 

 

 

Breve milagre

 

Da última vez, o céu deu uma volta

sobre si próprio (o próprio sol era

um girassol).

 

A terra estava por cima das nuvens. Dei

um salto no arco da lua e caí na estrada

de Santiago, que os anjos alcatroavam

de branco.

 

Deus estava sentado na mesa

da esplanada, à espera que lhe trouxessem

o café. Sentei-me com ele e perguntei-lhe

se era verdade que existia.

 

«Quando morrer, quero ir para

Terra», disse-me. «Quero respirar

o ar fresco da manhã, no sítio em que

as dunas acabam, e o mar se estende

até onde eu quiser.»

 

O criado chegou com o café. «Tem de

pagar», disse-lhe. E Deus esperou que

eu pusesse o dinheiro na mesa. «Esqueci-me

da carteira», segredou-me. «Faz isto

todos os dias», murmurou-me o criado, sem que

ele ouvisse.

 

Deixei-o, sem me despedir. E

quando voltei ao céu vi

que os anjos me deixavam entrar, sem

cobrar portagem, na via láctea.

 

Lavoro diurno

 

Vuotai il pomeriggio del sole che lo colmava;

tolsi la luce dal cielo, un secchio dopo l’altro,

e la gettai nel pozzo senza fondo

dove cadeva, con un tonfo sordo,

spargendo gocce di lucore

lungo le umide pareti. Quando il giorno

fu rimasto senza luce, chiusi il pozzo

con il coperchio e chiesi se qualcuno avesse

bisogno di essere illuminato. Venivano

da me; e chiedevano quanto

costasse un grammo di sole. Io rispondevo:

“È più caro della notte”. Ma a loro

non importava, e si radunavano

attorno a me, perché tornassi

ad aprire il pozzo. E io, sapendo che

la corda del mio secchio non giungeva

fino al fondo chiedevo loro che

si gettassero nel pozzo,

seguendo la luce, se non volevano

la notte. Ma loro si rifiutavano; e io

li vidi allontanarsi nell’oscurità,

lasciandomi da solo. Poi, sollevai

il coperchio del pozzo – e là sul fondo vidi

l’ultima luce che svaniva nell’abisso.

 

 

 

 

 

Big Bang

 

Scrivo in questa luce fluida ciò che

il tempo mi lascia vedere: un’eco di astri

nelle volte dell’infinito, col suo disegno

di suono che va limando gli spigoli

del silenzio.

 

E qualcuno mi diceva

che non era così: lo spazio si trascina

tra divinità e

le immensità

vuote di una lacuna

di galassie.

 

Ma l’astronomo non perde

tempo con la metafisica; e ciò che sa

della religione si limita a un registro

di nomi, tra stelle

e pianeti.

 

Tuttavia, sente la musica che viene

dall’esplosione primordiale, e solca da un capo

all’altro l’universo. Che parola si perse

in mezzo ai frammenti dell’eternità,

risucchiata dal buco nero del centro?

 

E di notte, quando non c’è luna

né nuvole, scrivo nel quaderno del cielo

la frase che mi dettano le galassie, come

fossi un astronomo, e sentissi

il rumore di un motore che non si ferma.

 

 

 

 

 

Breve miracolo

 

Dall’ultima volta, il cielo aveva fatto

un giro su se stesso (il sole stesso era

un girasole).

 

La terra stava sopra le nuvole. Feci

un salto nell’arco della luna e caddi sulla strada

di Santiago, che gli angeli incatramavano

di bianco.

 

Dio era seduto a un tavolino del bar

all’aperto, in attesa che gli portassero

il caffè. Mi sedetti con lui e gli chiesi

se fosse vero che esisteva.

 

«Quando morirò, voglio andarmene

in giro per la Terra», mi disse. «Voglio respirare

l’aria fresca del mattino, nel punto in cui

finiscono le dune, e il mare si estende

fin dove lo desidero.»

 

Il cameriere arrivò col caffè. «Deve

pagare», gli disse. E Dio sperò che

mettessi io il denaro sulla tavola. «Ho scordato

il portafogli», mi bisbigliò. «Fa così

tutti i giorni», mi sussurrò il cameriere, senza che

Dio sentisse.

 

Lo lasciai lì, senza congedarmi. E

quando tornai al cielo vidi

che gli angeli mi lasciavano entrare, senza

riscuotere il pedaggio, nella via lattea.

da Formule di una luce inesplicabile

Traduzione di Chiara De Luca

Projecto

 

Procuro a terra branca de um outro

continente, os montes áridos de um litoral

tempestuoso, o fundo secreto de uns olhos

abertos para o coral da eternidade. Perdi-me

nessa procura; destruí os cadernos onde

apontara o caminho. Como um cego,

estendi os braços para o ocaso de um infinito

que os loucos desenharam. Bati contra

os seus limites, e andei às voltas sem encontrar

uma fuga.

 

Mas vi saírem todos os barcos do porto

que imaginei. Tinha-o pensado com longos

cais vazios, e percorrera-o devagar, tropeçando

nas madeiras podres e nas cordas inúteis

de um velame corrupto. Por vezes, sentei-me

nos caixotes desfeitos pelos vagabundos

em busca de um resto de comida. Os cães

vinham ter comigo e lambiam-me as mãos

como se eu fosse o seu dono.

 

Não sei o que levaram esses barcos; nem

que sonho de felicidade se desfez nos olhos

vazios dos afogados.

 

 

 

 

 

Invocação

 

Que sabem os pássaros do outono que chega,

com o seu fundo de nuvens, derramando o cinzento

sobre o céu da memória? Ouço-os, de madrugada,

anunciando a partida, e vejo o horizonte encher-se

com a sua migração, levando para algures

a nostalgia do estio.

 

Sigo-os com os olhos; e o tempo que

me deixam esvazia-se de música, como se

o silêncio não tivesse o seu ruído imenso,

e uma vibração de nada não me trouxesse

aos ouvidos o seu eco, roubado a um

poço fechado numa infância distante.

 

Quantas vezes me avisaram, esses pássaros, do

que estava para vir? Li no seu peito aberto

um futuro branco; e enchi-lhes de sombra

as entranhas para que, onde houve um coração,

a vida ainda pulsasse, mesmo que não fosse mais

do que o desenho pálido de um ser antigo.

 

Mas é no presente que o seu canto me

toca; e dou-lhes, no abrigo da estrofe,

um ninho de palavras onde o seu sono se

recolha do inverno, e os seus olhos fechados

guardem a imagem do azul, o desejo do voo, e

um restolhar de folhas no vento da tarde.

 

 

 

 

 

Te deum

 

A ti, ó deus, pousado como a coruja

de olhos cegos no tronco ressequido da eternidade;

a ti, que o vento de uma imprecação de profetas

loucos expulsa para a terra poeirenta

do fim, como se ainda pudesses anunciar

um recomeço de jardins e oceanos varridos

pela primeira luz; a ti, de asas envelhecidas

pelo curso das idades, e incapaz de sobrevoar

um campo de galáxias para descobrir o átomo

de um verbo inicial:

 

vem para dentro do tempo, e faz dele

o templo das tuas indecisões. Sobe ao velho

altar e fala aos crentes que te adoram, repetindo

devagar cada palavra que ouviste das suas

orações. Pedir-te-ão que não os imites, e quando te

aproximares deles voltar-te-ão as costas, a ti,

ó deus alquebrado. Então, dirás para

contigo, então sou um homem! E entrarás

no meio deles, para que te insultem,

 

a ti, ó deus, que finalmente

encontrarás o teu lugar nas tabernas do mundo,

bebendo o vinho barato dos marinheiros

e comendo o pão esfarelado da ressaca,

enquanto rezas a ti próprio – como

se ainda acreditasses em ti.

Progetto

 

Cerco la terra bianca di un altro

continente, i monti aridi di un litorale

tempestoso, il fondo segreto di occhi

aperti al corallo dell’eterno. Mi sono smarrito

in questa ricerca; ho distrutto i quaderni dove

avevo annotato il percorso. Come un cieco,

ho proteso le braccia al tramonto di un infinito

che i pazzi avevano illustrato. Ho urtato contro

i suoi confini e vagato a tentoni senza trovare

una via di fuga.

 

Ma ho visto uscire tutte le barche dal porto

da me immaginato. Lo avevo pensato con lunghi

moli vuoti, e lentamente attraversato, inciampando

nei legni marci e nelle corde inutili

di un velame corrotto. A volte mi sono

seduto sulle casse rotte dai vagabondi

in cerca degli avanzi di un pasto. I cani

venivano da me e mi leccavano le mani

come fossi un dono per loro.

 

Non so cosa portassero quelle barche; né

che sogno si sia disfatto negli occhi

vuoti degli annegati.

 

 

 

 

 

Invocazione

 

Che ne sanno gli uccelli dell’autunno in arrivo,

con il suo fondo di nuvole, che riversa grigio

sul cielo della memoria? Li sento, di buon mattino,

annunciare la partenza, e vedo l’orizzonte colmarsi

della loro migrazione, che da qualche parte porta

la nostalgia dell’estate.

 

Li seguo con lo sguardo; e il tempo che

mi lasciano si vuota d’ogni musica, come se

il silenzio non avesse un suo rumore immenso,

e una vibrazione del nulla non ne portasse

alle orecchie l’eco, rubato a un pozzo

chiuso dentro un’infanzia distante.

 

Quante volte mi avvisarono, questi uccelli, di

quel che stava per accadere? Lessi nel loro petto aperto

un futuro bianco; e colmai d’ombra le loro

viscere affinché, dove c’era un cuore

la vita pulsasse ancora, sebbene non fosse più

che un disegno sbiadito di un essere antico.

 

Ma è nel presente che il suo canto mi

tocca; e dò loro, nel rifugio della strofa,

un nido di parole in cui il loro suono si

raccolga d’inverno, e i loro occhi chiusi

serbino l’immagine dell’azzurro, il desiderio del volo, e

un frusciare di foglie nel vento della sera.

 

 

 

 

 

Te deum

 

A te, oh dio, appollaiato come la civetta

dagli occhi ciechi sul tronco disseccato dell’eternità;

a te, che il vento di un’imprecazione di profeti

folli espelle verso la terra polverosa

della fine, come si potesse ancora annunciare

un nuovo principio di giardini e oceani spazzati

dalla luce primigenia; a te, che hai ali invecchiate

dal passare delle ere, e non sei in grado di sorvolare

un campo di galassie per scoprire l’atomo

di un verbo iniziale:

 

vieni da dentro il tempo e fanne

tempio delle tue titubanze. Sali sul vecchio

altare e parla ai credenti adoranti, ripetendo

lentamente parola per parola le loro

preghiere. Ti chiederanno di non imitarli, e quando ti

avvicinerai ti volteranno le spalle, a te,

oh dio distrutto. Allora, dirai fra te

e te, allora sono un uomo! E andrai

in mezzo a loro, perchè insultino

 

te, oh Dio, che finalmente

troverai il tuo posto nelle cantine del mondo,

bevendo il vino scadente dei marinai

e mangiando il pane sbriciolato dalla risacca,

mentre pregherai te stesso – come

se ancora credessi in te.

 

 

 

No widget added yet.

Leave a Reply

Your email address will not be published. Required fields are marked *

Follow Us

Get the latest posts delivered to your mailbox:

%d bloggers like this: